José Sobral de Almada Negreiros (1893-1970) nasceu em São Tomé e Príncipe, Portugal. Em 1905 já redigia e ilustrava jornais manuscritos (“A República” e “O Mundo”). Publica seu primeiro desenho em “A Sátira” e faz sua primeira exposição individual de 90 desenhos, em 1913. Escreve, em 1915, o “Manifesto Anti-Dantas e por extenso” e é publicado o primeiro número da revista “Orpheu”. Retorna de sua estada em Paris, em 1920. No ano de 1925 pinta dois painéis para “A Brasileira”, um café do Chiado, em Lisboa. De 1927 a 1932 mora em Madrid. Em 1938, conclui os vitrais da Igreja de Nossa Sra. de Fátima. Pinta o famoso retrato de Fernando Pessoa (“Lendo Orpheu”), para o restaurante “Irmãos Unidos”, em 1954. Em 1951, o SNI lhe confere o “Prêmio Nacional das Artes”. Em 1966 é eleito membro honorário da Academia Nacional de Belas Artes. No ano seguinte recebe o Grande Oficialato da Ordem de Santiago Espada. No ano de 1970, o pintor e escritor morre em Lisboa, no mesmo quarto em que morrera o poeta Fernando Pessoa. Companheiro de geração de Pessoa, é considerado um dos maiores pintores lusos, além de escritor e agitador cultural. Sua importância na cultura portuguesa é sentida mesmo após sua morte. Deixou contos espalhados por revistas de vanguarda de curta duração.
Obras: O Moinho (1912 – teatro)Manifesto Anti-Dantas e por extenso (1915)A Engomadeira (1917 – novela)A Cena do Ódio (poema publicado na revista Portugal Futurista em 1917)A Invenção do Dia Claro (1921)Os Outros (1923 – teatro)El uno, trajedia de la unidad (1927 – teatro)S. O. S. (1929 – teatro)Nome de Guerra (romance, 1938)Antes de Começar (teatro)Deseja-se Mulher (1959 – teatro), Poesia.Texto extraído do livro “Os cem melhores contos de humor da literatura universal”, Ediouro – Rio de Janeiro, 2001, pág. 425, organizado por Flávio Moreira da Costa.
Artista plástico e escritor português, natural de São Tomé e Príncipe, onde o pai era administrador do concelho da cidade. Estudou no colégio jesuíta de Campolide, para onde entrou em 1900, aos sete anos de idade, após a morte prematura da mãe, em 1896, e a partida definitiva do pai para Paris nesse mesmo ano. Aí realizou os jornais manuscritos República, Mundo e Pátria. Após o encerramento do colégio frequentou, entre 1910 e 1911, o liceu de Coimbra, de onde passou para a Escola Nacional de Belas-Artes, em Lisboa. Em 1915, integrado no grupo Orpheu, centrou a sua polémica ideológica numa crítica cerrada a uma geração e a um país que se deixava representar por uma figura como Júlio Dantas. Mostrando-se convicto de que «Portugal há-de abrir os olhos um dia», lançou, em 1917, um Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX, precavendo-as contra a «decadência nacional», em que a «indiferença absorveu o patriotismo».
Entre 1919 e 1920 retomou os estudos de pintura em Paris, onde criou a sua característica assinatura, com o «d» do seu nome a elevar-se, marcando a sua individualidade. De regresso a Lisboa, adquiriu uma serenidade bem expressa na sua afirmação de que «entre mim e a vida não há mal entendidos». Mas, em 1927, de novo desgostoso com a falta de abertura do país às novas correntes ideológicas e culturais, foi para Madrid. Aí, como já antes o fizera em Lisboa, a par da sua actividade nas artes plásticas, colaborou com a imprensa. Com o agravamento da crise económica e social espanhola, após a proclamação da República, Almada regressou a Lisboa, em Abril de 1932. À consciência nacional que Paris lhe trouxera acrescentou agora uma «consciência ibérica culturalmente definida por valores líricos de uma certa lusitaneidade». Em 1934, casou com a pintora Sara Afonso.
Almada Negreiros, conhecido como «Mestre Almada», colaborou nas revistas de vanguarda Orpheu (de que foi co-fundador), Contemporânea, Athena, Portugal Futurista e Sudoeste (que dirigiu). Participou em exposições de arte, nomeadamente na I Exposição dos Humoristas Portugueses (1911), a primeira do modernismo nacional. Como artista plástico, são de realçar os seus murais na gare marítima de Lisboa, os trabalhos para a Igreja de Nossa Senhora de Fátima (mosaico e pintura) e o célebre retrato de Fernando Pessoa. Pintor do advento do cubismo, a sua actividade artística estendeu-se ainda à tapeçaria, à decoração e ao bailado.
Como escritor, publicou peças de teatro (Antes de Começar, 1919; Pierrot e Arlequim, 1924; e Deseja-se Mulher, 1928); o romance Nome de Guerra (escrito em 1925, mas publicado apenas em 1938, é considerado um dos romances fundamentais do século XX português e o primeiro em que se manifesta já a arte modernista); os poemas Meninos de Olhos de Gigante (1921), A Cena do Ódio (escrito em 1915 durante a Revolução de Maio contra a ditadura de Pimenta de Castro e publicado apenas em 1923, consiste numa descrição violenta do Portugal da época, em que se exprime uma dialéctica de amor-ódio que seria a tónica dominante das relações do artista com a pátria), As Quatro Manhãs (1935) e Começar (1969); e uma série de textos de crítica e polémica, dispersos pelas publicações em que colaborava. De entre estes, destacam-se o Manifesto Anti-Dantas (1915), verdadeiro libelo de reacção ao ambiente cultural estagnado e academizante da época, o Manifesto (1916), o Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas (1917) e A Invenção do Dia Claro (1921), conferência sob a forma de poema. A sua obra representa uma síntese, única na sua geração, das tendências modernistas e futuristas de então, não apenas por, como artista, ser multifacetado, mas também pela sua capacidade de fusão e conjugação, nas letras e na pintura, das vertentes plástica, gráfica e poética. Em 1970 e 1988, foram publicadas duas edições de Obras Completas de Almada Negreiros, comemorando a última o centenário do autor.
Artista da novidade e da provocação, em demanda de «uma pátria portuguesa do século XX», atento à busca de uma unanimidade universal e profundamente marcado pela herança e o sentido da civilização europeia, foi uma das grandes figuras da cultura portuguesa do século XX. Artisticamente activo ao longo de toda a sua vida, o seu valor foi reconhecido por inúmeros prémios.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Orpheu
Revista literária portuguesa de que saíram dois números, em Março e em Junho de 1915. Constituíu um marco fundamental na história da literatura portuguesa, devendo-se-lhe a introdução do movimento modernista. Nela colaboraram Luís de Montalvor, Mário de Sá-Carneiro, Ronald de Carvalho, Almada Negreiros, Fernando Pessoa (ortónimo e Álvaro de Campos) e Ângelo de Lima, entre outros. Entre os textos publicados, contam-se poemas célebres de Pessoa, como «Ode Triunfal», e «Chuva Oblíqua», e «Manicure», de Mário de Sá-Carneiro.
A revista respondia ao desejo deste grupo de artistas, influenciados pelo cosmopolitismo e pelas vanguardas europeias, de escandalizar a sociedade burguesa, agitando o meio cultural português — o que foi conseguido, tornando-se os autores objecto da troça geral. O terceiro número da revista, embora já impresso, acabou por não ser publicado. Na esteira da Orpheu estiveram outras revistas ligadas ao modernismo, como a Centauro (1916) e a Portugal Futurista (1917), inaugurando a Presença (1927) um segundo ciclo do modernismo em Portugal.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
modernismo
Termo que designa o culto do moderno, ou seja, e em termos gerais, de tudo aquilo que se opõe à ideia de clássico e de tradição. O modernismo surge, assim, como conceito associado a uma ética do progresso, da aceleração das inovações e experiências (formais ou plásticas) conduzidas pelos movimentos de vanguarda do início do século XX, em função da ideologia do novo como valor ético e estético, da autonomia da arte, e da recusa da realidade como modelo para esta última. Por outro lado, refere-se a uma geografia da arte que se organiza em torno de Paris, como principal centro da criação, desde finais do século XIX e até meados do século XX, a qual tende a reflectir o estado da modernidade (das inovações formais) que ali se vive. Assim, o modernismo encontra seguimento em países como Portugal, Espanha, Brasil, nos quais representa o movimento de ruptura com a tradição naturalista de oitocentos, de acordo com as tendências e os modelos desenvolvidos na capital francesa. Em Portugal, a geração congregada em torno da revista Orpheu, cujo primeiro número saíu em 1915, e a que pertenceram nomes como Almada Negreiros, Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro, foi a introdutora do modernismo. Nas artes plásticas, são de destacar Amadeo de Souza Cardoso e Santa-Rita Pintor. Considera-se ainda que a revista Presença (1927-1940) marca, na literatura portuguesa, um segundo modernismo, que recupera e promove a geração de Orpheu, cujo reconhecimento público fora reduzido.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
futurismo
Movimento artístico europeu influente entre 1909 e 1914, com origem na cidade de Paris. Nas suas obras, os futuristas fizeram a exaltação do mundo moderno, da «beleza da velocidade e da energia», do dinamismo, da vertigem febril, e, inclusivamente, da beleza bélica. O poeta italiano Filippo Marinetti publicou o Manifesto Futurista em 1909, exortando os artistas italianos a juntarem-se a ele e a aderirem ao futurismo. Nas artes plásticas, combinando o jogo de planos e formas geométricas do cubismo com cores vibrantes, pretendiam atingir o dinamismo de um automóvel ou um comboio em movimento, por exemplo, através da repetição simultânea de formas. Na literatura, a expressão do movimento passaria pela dissoluçção das estruturas sintácticas e semânticas tradicionais, pela expressão totalmente livre e pelo aproveitamento da palavra enquanto elemento sensível. Como movimento, o futurismo desapareceu durante a I Guerra Mundial.Em Portugal, expressões do movimento futurista integraram as primeiras incursões modernistas no país, contemporâneas da revista Orpheu. Estreitamente ligado ao futurismo esteve o sensacionismo, de Fernando Pessoa. Almada Negreiros (Manifesto Anti-Dantas) e Álvaro de Campos, heterónimo de Fernando Pessoa («Ode Triunfal», «Ode Marítima») foram pioneiros no futurismo português, em que se integram também alguns textos de Mário de Sá-Carneiro. A agitação provocada nos meios artísticos académicos pelo movimento ficou marcada, em 1917, pela primeira conferência futurista, no Teatro República. O apoio dado ao movimento por José de Almada Negreiros, que se autodesignou como «poeta futurista», era já evidente nessa conferência, com o seu Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX, publicado no único número do Portugal Futurista (1917), órgão do movimento. Nas artes plásticas destacaram-se Santa-Rita Pintor e Amadeo de Souza Cardozo.
musical infanto juvenil em acto único. Estreou no dia 21 de Julho de 2007, no Auditório de Alfornelos, Amadora, Portugal.
sexta-feira, 1 de junho de 2007
Ainda sobre Almada e a sua época
Etiquetas:
Almada Negreiros(1893 - 1970),
Futurismo,
Modernismo,
Orpheu
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário